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Diagnóstico de doença rara mobiliza família de Espumoso em campanha pela vida do pequeno Pietro

Gemerson Rogério Santos Por Gemerson Rogério Santos
13 de julho de 2025
em ALTO JACUÍ, ALTO TAQUARI, Destaque, ENCOSTA NORDESTE, Geral, Notícias
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Diagnóstico de doença rara mobiliza família de Espumoso em campanha pela vida do pequeno Pietro

Uma notícia devastadora abalou nesta semana a família Oliveira, de Espumoso. O casal Roberto e Ana Maria, ele motorista e funcionário da Cotriel, ela dona de casa, recebeu o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal (AME) do filho caçula, Pietro, de apenas 10 meses de idade.

A confirmação da doença veio durante uma consulta médica em Passo Fundo, referência em saúde na região norte do Estado. Pietro, o mais novo dos três filhos do casal — que também são pais de Leonardo e Raul — precisa de tratamento urgente e especializado, já que a terapia recomendada para casos como o dele deve ser aplicada até os dois anos de idade.

A AME é uma doença genética rara e progressiva, que compromete os neurônios motores e leva à perda de movimentos, dificuldades respiratórias e de alimentação. Embora exista tratamento eficaz — como o Zolgensma, considerado o medicamento mais caro do mundo — o acesso à medicação ainda depende de decisão judicial, o que implica altos custos com honorários e deslocamentos.

Custo elevado e prazo limitado

Segundo Roberto, apenas o processo judicial para pleitear o medicamento pode chegar a R$ 25 mil, sem contar as despesas com deslocamentos, consultas especializadas e estadias fora do Estado. O tratamento do pequeno Pietro deverá ser realizado em Curitiba (PR), centro de referência para casos de AME.

Sem condições financeiras para arcar com todos os custos, a família iniciou uma campanha solidária online por meio da plataforma Vakinha, na esperança de contar com a ajuda da comunidade e de pessoas de bom coração que desejem contribuir com qualquer valor.

🤝 Como ajudar

A campanha está disponível no link abaixo, juntamente com mais informações sobre a AME e o laudo médico que confirma o diagnóstico de Pietro. A solidariedade pode fazer toda a diferença neste momento decisivo para a vida de uma criança.

Link da Vakinha:

https://www.vakinha.com.br/5616853

Mãe Ana Maria, irmãos Leonardo e Raul e o pai Roberto com o pequeno Pietro.


🧬 O que é a AME?

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é causada pela falta ou defeito no gene SMN1, que é responsável pela produção de uma proteína essencial chamada SMN (Survival Motor Neuron).
Essa proteína é necessária para a sobrevivência dos neurônios motores da medula espinhal — as células nervosas que controlam os músculos.

Sem essa proteína, esses neurônios morrem, levando à fraqueza muscular progressiva e à atrofia (perda de massa muscular).


👶 Quem pode ter AME?

A AME é hereditária e afeta principalmente crianças, mas também pode surgir em adolescentes ou adultos, dependendo do tipo.

Ela é transmitida de forma autossômica recessiva, ou seja:

  • Ambos os pais precisam ser portadores do gene defeituoso, mesmo que não tenham a doença.
  • Cada filho tem 25% de chance de nascer com AME.

🧩 Tipos de AME

A AME é classificada em tipos, de acordo com a idade de início e a gravidade dos sintomas:

Tipo Início Características Expectativa sem tratamento
Tipo 0 Pré-natal Forma mais grave; bebês nascem com fraqueza extrema. Não sobrevivem sem suporte respiratório.
Tipo 1 (Werdnig-Hoffmann) Antes dos 6 meses Bebê nunca senta sem ajuda. Dificuldade de respirar e engolir. Pode levar à morte antes dos 2 anos.
Tipo 2 6-18 meses Criança senta, mas não caminha. Fraqueza progressiva. Pode viver até a vida adulta com cuidados.
Tipo 3 (Kugelberg-Welander) Após 18 meses Consegue andar, mas pode perder essa habilidade. Expectativa de vida quase normal.
Tipo 4 Vida adulta Forma mais leve. Fraqueza leve e lenta. Expectativa de vida normal.

🧪 Diagnóstico

É feito por:

  • Exame genético (testa mutações no gene SMN1);
  • Avaliação clínica;
  • Testes de função muscular e neurológica.

Importante: hoje há programas de triagem neonatal (teste do pezinho ampliado) que já detectam AME nos primeiros dias de vida em alguns estados brasileiros.


💉 Tratamento

Até poucos anos atrás, a AME não tinha tratamento. Hoje existem terapias aprovadas que podem mudar a evolução da doença, principalmente se iniciadas cedo:

  1. Spinraza (Nusinersen) – primeira medicação aprovada. Aplicada na coluna (injeção intratecal).
  2. Zolgensma (onasemnogene abeparvovec) – terapia gênica de dose única, aprovada para bebês até 2 anos.
  3. Evrysdi (Risdiplam) – medicamento oral, para uso contínuo.

Além dos medicamentos, o tratamento inclui:

  • Fisioterapia;
  • Fonoaudiologia;
  • Suporte respiratório;
  • Nutrição adequada;
  • Equipe multidisciplinar.

💚 Considerações finais

A AME é grave, mas tratável — especialmente se for diagnosticada precocemente.
O acesso a medicamentos no Brasil é garantido pelo SUS, em alguns casos por via judicial ou protocolos específicos do Ministério da Saúde.

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Gemerson Rogério Santos

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