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O programa Mate Papo do Correio do Mate, transmitido nas plataformas digitais do veículo, reuniu lideranças ligadas ao comércio e ao cooperativismo para discutir os desafios enfrentados pela economia local e regional. 

Participaram do debate o Vice-presidente da ACISAR/CDL de Arvorezinha, Nelsinho De Bona, e o gerente da Cresol de Arvorezinha e integrante do conselho fiscal da Acisar, Aloísio Franceschini.

Os convidados abordaram temas que vão desde a transformação do comércio com o avanço da internet até as dificuldades enfrentadas pelo produtor rural e os reflexos disso no consumo das cidades menores.

Comércio enfrenta concorrência digital e mudança no comportamento do consumidor

Um dos pontos centrais do debate foi o impacto do comércio digital sobre os negócios locais. Segundo Aloísio Franceschini, a internet mudou definitivamente a forma de consumir, tornando possível comprar produtos de qualquer lugar. De acordo com ele, o desafio do comerciante atualmente é entender o perfil do cliente e encontrar formas de se adaptar a essa nova realidade.

Franceschini destacou que, apesar da concorrência com plataformas digitais, a tecnologia também pode ser utilizada como ferramenta para ampliar negócios e alcançar clientes fora do município. “Hoje o comerciante pode divulgar seu produto pela internet e vender para outras cidades ou até outros estados. A tecnologia trouxe concorrência, mas também abriu oportunidades”, explicou.

Grande número de mercados aumenta concorrência

Outro ponto levantado por Nelsinho foi o alto número de mercados existentes em Arvorezinha em relação ao tamanho da população, o que torna a concorrência ainda mais intensa. Ele relatou que, além da disputa local, estabelecimentos da região também enfrentam a concorrência de grandes centros comerciais, como o mercado atacadista de Soledade, que atrai consumidores de municípios vizinhos. “Arvorezinha tem muitos mercados para o número de habitantes. Além disso, muitos clientes acabam indo comprar fora, o que impacta diretamente no movimento do comércio local”, afirmou.

Queda no preço da erva-mate reduz circulação de dinheiro

A situação da agricultura também foi apontada como fator decisivo para a economia regional. Segundo Nelsinho, a queda no valor pago pela erva-mate nos últimos anos reduziu significativamente o poder de compra do produtor rural. Ele citou que há poucos anos a arroba da erva-mate era comercializada em torno de R$22,00 ou R$23,00. Atualmente, em muitos casos, o valor gira em torno de R$15,00.

Essa diferença, segundo ele, gera forte impacto na economia local, já que o produtor deixa de movimentar recursos no comércio. “Quando o produtor recebe menos pela produção, ele reduz as compras. Isso afeta diretamente o comércio, as indústrias e toda a cadeia econômica do município”, destacou. Além disso, ele ressaltou que muitos produtores enfrentam custos elevados para manter a produção, especialmente com adubos, fertilizantes e mão de obra.

Aumento do custo de vida preocupa comerciantes

Outro aspecto discutido foi o aumento do custo de vida da população, que reduz a sobra de recursos das famílias para consumo no comércio. Segundo ele, esse cenário torna cada vez mais difícil tanto ampliar patrimônios quanto manter negócios. Franceschini destacou que hoje existem muito mais despesas no orçamento familiar do que no passado, como internet, seguros, financiamentos e outros serviços. “Antes o custo da família era muito mais enxuto. Hoje existem muitos fatores que drenam o dinheiro das pessoas. Isso impacta diretamente o comércio”, explicou.

Reforma tributária pode impactar municípios menores

Durante o programa, também foi discutida a reforma tributária em andamento no país. Os participantes destacaram que o novo modelo tende a concentrar arrecadação nos municípios com maior consumo. Isso pode representar desafios para cidades menores, que precisam fortalecer o comércio local para manter a circulação de recursos.

Nesse contexto, foi reforçada a importância de incentivar a população a priorizar compras no próprio município. “Quando compramos fora, o imposto fica na cidade onde ocorreu a compra. Se comprarmos no comércio local, esse recurso retorna para a comunidade em forma de investimentos”, explicou o apresentador do programa Daniel.

Entidade quer ampliar debates e fortalecer comércio

Ao final do encontro, Nelsinho destacou que a ACISAR/CDL de Arvorezinha está estruturando novos grupos de trabalho para discutir temas econômicos e propor ações de fortalecimento do comércio. Segundo ele, o objetivo é ampliar o diálogo com empresários, produtores e poder público, buscando soluções para os desafios enfrentados pela economia regional. “Precisamos debater mais, conversar e buscar caminhos para fortalecer o comércio local e valorizar quem empreende no município”, concluiu.

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