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Emater/RS-Ascar deve trocar de comando pela sexta vez nas duas gestões do governador Eduardo Leite. O governo estadual convocou sessão extraordinária para segunda-feira (1), às 14h, para escolher e empossar novo presidente da Emater da empresa que é contratada pelo Estado para prestar serviços de assistência técnica e extensão rural e social para agricultores gaúchos. A mudança causa apreensão ao Fórum Permanente das Entidades representativas de funcionários.

O governo estadual preferiu não se manifestar sobre a convocação, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 14. A reunião de segunda-feira escolherá os novos presidente e vice-presidente do Conselho Técnico Administrativo (CTA) da Emater/RS e do Conselho Administrativo da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ascar). A atual presidente, Mara Helena Saalfeld, também não se manifestou. Ela já teria sido informada pelo governo estadual de que será substituída.

A extensionista rural Luana Lucas Alves, presidente da Associação de Extensionistas Sociais Rurais do RS (AESR), que integra o Fórum Permanente das Entidades, sustenta que a troca enfraquece a instituição, que acumula quase 70 anos de atuação no meio rural.

“Justamente neste momento de calamidade em que são os extensionistas que estão lá na ponta ajudando o Estado no atendimento das famílias. É um descaso com a instituição e o trabalho desenvolvido, pois já é a sexta troca em seu governo”, afirmou.

Em manifesto público, o Fórum de Entidades questiona qual o projeto do governador para a Emater/RS-Ascar. O documento diz que a nova mudança gera insegurança aos servidores e às famílias rurais atendidas. Conforme a entidade, a situação causa dificuldades no estabelecimento e na execução de um plano de ações, com projetos sendo descontinuados ou nem mesmo iniciados.

“É um absurdo que, nos últimos cinco anos, a Emater/RS-Ascar tenha tido cinco presidentes diferentes, sendo que alguns ocuparam o cargo por menos de seis meses”, afirma.

Recomposição de orçamento e pessoal

Além de questionar as alterações, que geram custos em razão das trocas de cargos em confiança (CCs), as entidades alertam para a recorrente redução de orçamento e pessoal da empresa. Segundo relatório da Emater/RS-Ascar, mais de 25 mil famílias deixaram de ser atendidas entre 2014 e 2022 e o orçamento caiu de R$ 331 milhões para R$ 213 milhões no período, quando o quadro de pessoal encolheu com a saída de 850 funcionários. A empresa tem carências de profissionais principalmente nos escritórios municipais. Recentemente, 90 pessoas aprovadas em concurso público foram admitidas. “E ainda há previsão de mais de 200 desligamentos, através de um plano de demissão”, alerta o manifesto.

Os funcionários questionam quais os planos do governo do Estado para a empresa e dizem que não são apresentados.

“O sucateamento das estruturas, o descaso com os servidores, o arrocho orçamentário e as trocas de comando são estratégias para enfraquecer ou até mesmo dissolvê-la?”, questionam.

Outro argumento do Fórum das Entidades é que o trabalho da Emater-RS/Ascar tem consequências diretas na economia e no bem-estar social dos gaúchos. “É inadmissível que uma entidade de sua envergadura não tenha um objetivo claro e ainda seja excluída de ações que vão ao encontro de sua missão, como o Conselho do Plano Rio Grande, criado pelo executivo estadual”, finaliza.

OS PRESIDENTES DA EMATER/RS-ASCAR NA GESTÃO EDUARDO LEITE
  • 2019 – Iberê Orsi (assumiu em 2018, na gestão de José Ivo Sartori)
  • 2019 – Geraldo Sandri
  • 2021 – Edmilson Pelizari
  • 2022 – Alex da Silva Corrêa
  • 2022 – Christian Wyse Lemos
  • 2023 – Mara Helena Saalfeld

Correio do Povo

gov do RS

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