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O Rio Grande do Sul viu chocado, ainda na semana passado, o triste caso de quase 207 trabalhadores, vindos do norte do país, serem descobertos e resgatados após trabalharem em um regime análogo à escravidão em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha./O grupo era mantido em uma espécie de alojamento por um “empresário”, contratado de forma terceirizada por vinícolas e produtores rurais daquela cidade com o intuito de fornecer mão de obra na colheita da uva.  Este trabalho é feito de forma braçal, com grandes quantidades de uva a serem colhidas em um curto espaço de tempo.

Porém, alguns dos trabalhadores saíram deste local e pediram ajuda para a Polícia Rodoviária Federal, que com o apoio de outros órgãos, realizou o resgate dos operários após verificar a veracidade das denúncias de trabalho semelhante à escravidão.  O empresário que terceirizou o trabalho chegou a ser preso, mas pagou uma fiança.  A maioria dos trabalhadores já embarcou em um ônibus de volta para seus Estados, em especial a Bahia, de onde veio o maior número deles. No momento a situação tramita no âmbito judicial para que as responsabilidades dos envolvidos sejam apuradas e haja o ressarcimento ou ação cabível.

No entanto, antes de toda esta situação ser revelada, dois trabalhadores que disseram estar neste alojamento fugiram e se abrigaram em Passo Fundo.  Os trabalhadores, que pediram para não ter o seu nome revelado, estão na cidade há alguns dias, abrigados no sistema local de apoio social, alojados no Albergue Municipal.  Lá eles recebem três refeições por dia, cama, cobertas, banho e assistência com todo o aporte da cidade.  Conforme um destes trabalhadores, eles chegaram ao Estado há mais de 3 meses.  Foram recrutados na Bahia para serviços na Serra,  inicialmente para a  colheita da uva.  Chegando em Bento Gonçalves o que viram foi bem diferente.

O alojamento era de fato precário, a comida insuficiente ou estragada.  Um mercado vendia alimentos superfaturados, chegando a cobrar até R$ 40 Reais por um kg de feijão. O salário acertado era de R$4.500 mensais, em contrato de três meses.  O trabalhador contou para a Uirapuru que cumpriu os três meses, trabalhando não nas uvas, mas sim na carga e descarga de frangos e sempre perdendo quase todo o salário no mercado superfaturado.

O que motivou a sua fuga foi principalmente a jornada de trabalho desumana.  Contou que trabalhava das 23hs até às 17hs do dia seguinte. Tinha assim apenas 6hs de folga e já nas 23hs da mesma noite era chamado para nova jornada de trabalho. Para piorar, todos faziam refeições individuais e, quando algo não estava no agrado do empregador terceirizado, este aplicava multas de R$250 Reais a R$ 350 Reais, aumentando a dívida.  Muitos, conforme o trabalhador, não recebiam nada, apenas assinavam um recibo enquanto a dívida aumentava. O trabalhador em Passo Fundo agradeceu o acolhimento do serviço municipal, com um local digno e disse que agora, através de uma ação do Ministério do Trabalho e Emprego, voltará para a Bahia em segurança através do fornecimento de uma passagem e suporte.

Fonte: uirapuru

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